segunda-feira, 22 de abril de 2013


HÁ GENTE QUE...
       Francimar Moreira



Há gente que, após nove meses ao ventre submisso, não se liberta mais.
Até parece de cócoras ter nascido e não ter ânimo para se erguer jamais!
Há gente que não consegue a vida organizar, sem a proteção de um amo,
Que o oriente, lhe mostre o caminho e, para o qual vive a mover o abano! 
É vítima de uma sina cruel que, movida a birra, a fez fraca e rastejadora,
Gênero dos reptilianos cuja ventura consiste, em ser uma vil bajuladora!
Há gente que trapaceia e explora a outrem, na busca insana pelo vil metal,
Confiante em que somente ele seja fonte segura de status e prosperidade!
Há gente que, delirante ao extremo, não percebe o quanto há de estupidez,
Na crença tola e vulgar de que poder e dinheiro sejam fonte de felicidade!
E muito embora, com uma fortuna acumulada, não percebeu, infelizmente,
Que dos bens virou escravo, do medo ficou refém, da vida plena é ausente!
Há gente que, na cólera selvagem de poder, nivela-se ao pior dos violentos.     
É um feroz crocodilo, uma serpente, senão for desses répteis excrementos!
Há gente que, movida a selvageria, tripudia, denigre e tortura o semelhante,
Sem se dar conta de que degrada toda a espécie humana, de forma aviltante!
E, ainda assim, do inocente povo sofredor, espera acatamentos reverenciais.
Embora não passe de execrável tiranete a extravasar seus instintos bestiais!



Imperatriz, 10 de março de 2013 

quinta-feira, 11 de abril de 2013


Disse Albert Einstein: “O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade”. A afirmação do autor da teoria da relatividade se sustentaria na presunção de que os maus seriam minoria e, logo, poderiam ser vencidos. A dúvida, no entanto, é se os bons, de fato, são maioria!... 
                                    

quarta-feira, 10 de abril de 2013


Imperatriz, 09 de abril de 2013

Meu querido mestre Livaldo Fregona:

Saúde!

Não creio que você tenha antes imaginado o quanto iria comover-me, com o seu tão magnânimo gesto! Somente segunda feira, 08/04/2013, tomei conhecimento de que VIRTUDES AUSENTES havia sido apresentado e discutido de maneira garbosa, nas páginas da Academia Imperatrizense de Letras  do jornal O PROGRESSO de 07/04/2013.
Não sei se o ilustre amigo sequer pensou que, com sua atitude, estava oferecendo-me um presente, pela passagem do meu natalício... Porém, não tenha dúvida, foi o melhor presente de aniversário que já ganhei em toda a minha vida!... Afinal, considerando-se o quanto os políticos me apreciam, foi, sim, um belo e confortável desagravo. 
Tenho pensado e, também falado, você sabe disso, que sua generosidade possui uma dimensão imensurável. E, mais uma vez, você a revela perante as consciências lúcidas e a história... Que sua nobreza de caráter e todas suas virtudes sejam preservadas, amigo Livaldo! E que Deus ilumine e conforte sempre – a você e a todos que lhe são preciosos!
Obrigado! Obrigado!...

Francimar Moreira






quarta-feira, 3 de abril de 2013

                  UM SALVADOR RODRIGUES, ‘MELHORADO’?!...
                                                                    Francimar Moreira


Felizmente, não sou o único a achar que Imperatriz está, de fato, precisando de um administrador!... Sábado, 23 de março de 2013, no início da noite, encontrei-me, por um acaso, nos corredores de uma loja aqui mesmo localizada, com um dos mais cultos, viajados e respeitados – seja como uma pessoa ilibada que é, ou profissionalmente, – cidadão de nossa urbe, o qual, após um bom papo sobre a conjuntura política brasileira, sapecou:
 – O prefeito que aí está é um Salvador Rodrigues, ‘melhorado’!

Foi uma surpresa ouvir tal afirmação. Não por discordar dela, afinal, venho dizendo que a atual administração é muito ruim, já há um bom tempo. Mas, porque não esperava que, discreto como é aquele cidadão, chegasse a revelar o que, de fato, pensa. A surpresa fez-me pedir-lhe que justificasse sua opinião, enumerando alguns fatos que considerasse escabrosos. Afinal, sempre o considerei um dos cidadãos mais discreto, decente e educado que há em Imperatriz, e, não esperava ouvir dele, tão absoluta e veemente verdade.

Sua serena explanação deixou-me esperançoso de que esteja começando a brotar nas consciências lúcidas de nossa gente, uma visão crítica mais aguçada sobre a nossa realidade político-administrativa. Logo, imaginei cada vez mais gente começando a se libertar do véu encardido e malcheiroso que impede a percepção – seja através do intelecto, da visão, ou por via olfativa – da putrefata imundície que conspurca a classe política brasileira, e passando também a compreender a dimensão do malefício que essa categoria de saqueadores está causando ao povo brasileiro.   

A essa altura, mais dois conhecidos haviam se integrado à nossa conversa e, um deles protestou contra a comparação, alegando que o Salvador Rodrigues, até mesmo por sua condição de pessoa simples que ascendeu ao cargo de prefeito de Imperatriz, não cometeria o desatino de autorizar uma construção em cima de uma AVENIDA, nem tão pouco aceitaria que essa construção, avaliada em cerca de cem milhões de reais, fosse averbada em cartório POR MEIO POR CENTO DE SEU CUSTO (...).

 Retomando a palavra, disse-me, incisivamente, o meu caríssimo interlocutor:
– Francimar, assisti as suas entrevistas, li o seu folder... E quero comprar o seu último livro!... Mas, asseguro-lhe que existem muito mais coisas horríveis na atual administração de Imperatriz, muito embora, furtar ou autorizar a ocupação das vias públicas, seja de fato, uma assombrosa estupidez!...  

Em seguida, de forma catedrática e demonstrando conhecimento de causa, começou a desfiar malfeitorias de nossa mesquinha e incompetente administração municipal:
– A primeira, a construção do shopping, que tomou três ruas, e, que a princípio não foi autorizada, porém!... (...); a segunda, aquela edificação que está sendo feita na Avenida Getúlio Vargas, esquina com a Rua Rio Grande do Norte, invadiu o passeio público, foi embargada e, um secretário municipal a visitava todo dia, durante o embargo. Certamente, pós os acertos conciliatórios, a obra continuou; mesmo irregular. (cadê os vereadores?!...); a terceira; a quarta; a quinta; a sexta; a sétima; a oitava; a nona, a décima!...

Após um minucioso relato, recomendou-me, com ar professoral:
 – Amigo, Francimar, vá ao cartório tal, requeira uma certidão de averbação do imóvel onde funciona o Shopping Imperial. Somente com ela em mãos, você pode, de fato, avaliar a dimensão da burrice, da loucura e da irresponsabilidade cometida por quem está à frente da administração pública municipal em Imperatriz!...

 A essa altura, outro dos presentes interveio:
– Está explicado, então, porque esse prefeito tinha de buscar guarida sob o manto protetor do Sarneysmo!...   

Lembrei-me, então, do que havia afirmado e se tornado manchete no mundo inteiro, poucos dias antes, um dos mais ricos e respeitados empresário brasileiro – Jorge Gerdau:
 – O Brasil atingiu o limite em burrice, loucura e irresponsabilidade!...         

 Finalmente, disse-me o meu interlocutor:
– Bem, se você quiser, a gente pode se encontrar em outro momento para conversar mais, agora, eu tenho de levar os ingredientes para o jantar!... 

 Despedimo-nos, então, com ele reclamando, mais uma vez, por eu nunca tê-lo acompanhado em um de seus giros por esse mundão de nosso Deus... Como sempre, mais uma promessa: – quem sabe no próximo..., Doutor!...
– Abraços!...

Saí daquele encontro, profícuo e confortador, em absoluta paz comigo mesmo, afinal, sendo aquele ilustre cidadão considerado, por todos que o conhecem, como um dos mais cultos, honrados e decentes imperatrizense, sua manifestação franca e serena, não somente legitima o que venho dizendo nos últimos anos, como dar às minhas opiniões um caráter muito mais expressivo e, francamente, incontestável.    

Ao constatar que não estou sozinho nesse universo, onde a maioria dos que conhecem os malfeitos silencia em nome da conveniência, procurei, então, guardar no mais recôndito escaninho da memória, para a minha íntima e perene satisfação – não por Imperatriz está sendo desgraçadamente mal-administrado, é lógico! –, aquela frase marcada de pureza d’alma e a idéia, brotada de uma consciência lúcida e imortalizada pela aptidão regeneradora do poder da verdade: “É um Salvador Rodrigues, ‘melhorado’!...”.   
                                 

                                       Imperatriz, 23 de março de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Leia um dos textos do livro Virtudes Ausentes
"Clique na imagem para abrir o texto em pdf"


terça-feira, 4 de dezembro de 2012


A CERTIFICAÇÃO EXTRACURRICULAR
                                                                                         Francimar Moreira


De vez em quando estouram, por este Brasil afora, denúncias de imperícias envolvendo as mais diversas áreas profissionais, principalmente engenharia e medicina. Da necessidade de haver um melhor preparo – tanto em nível técnico, quanto de conhecimento científico – nas diversas áreas de prestação de serviços, a maioria de nós, somente nos damos conta quando estão sendo denunciadas, em âmbito nacional, tragédias de grandes dimensões.
   
 Diante dos excepcionais avanços tecnológicos e científicos que nos apresentam constantemente os cientistas e pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento, parece evidente e crescente a necessidade de haver, cada vez mais, profissionais em níveis de excelência. Além do mais, deve ser delimitado um nível mínimo de conhecimento e habilidades para que alguém possa exercer o seu ofício. Até porque a enorme responsabilidade a que estão submetidos alguns profissionais é tamanha que requer, além de aptidão, absoluta autoconfiança.
 
É natural que o progresso tecnológico e científico que temos acumulado, aliado às conquistas no campo da legislação, imponha a necessidade de que – até para assegurar legitimidade funcional a eventuais acusados – cada profissional tenha uma certificação extracurricular. Neste caso, o exame e aprovação do profissional seriam da competência de uma Instituição altamente qualificada e moralmente conceituada, em cujas decisões não vicejassem o apadrinhamento e o tráfico de influência. Essa necessidade tem se acentuado nos últimos anos, visto que, estão sempre surgindo novas leis que asseguram direitos e atribuem deveres nas relações de negócios e serviços.

E não estou defendendo algo inusitado! Tanto é verdade que já existe a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que impõe aos graduados em direito a aprovação no chamado “Exame de Ordem”, como requisito prévio ao exercício da profissão de advogado. Certamente, também não estou pretendendo que se institua algo parecido com a OAB, pois, em rigor, essa Entidade é, de fato, uma organização classista, e não condiz com os princípios da legitimidade, da justiça e da equidade conferir-lhe a prerrogativa de selecionar os que devem exercer a advocacia.

 Ora, um erro de cálculo de um engenheiro pode causar uma tragédia de enormes proporções; é só pensar num edifício onde residam ou trabalhem milhares de pessoas. Um equívoco de um médico pode custar uma preciosa vida e gerar terríveis consequências. Por isso mesmo, as responsabilidades profissionais de engenheiros e médicos submetem esses profissionais a uma permanente pressão da expectativa de trabalhadores, futuros usuários e clientes, em torno dos limites e do alcance de suas competências.

Ademais, todos os ofícios exigem, de quem tem a pretensão de exercê-los, competência, desenvoltura e autoconfiança compatíveis com o grau de responsabilidade próprio de cada um. Logo, evidencia-se incoerente a exigência de avaliação exclusivamente para o operador do direito e, pior, executada por uma entidade da própria categoria. Deveria, sim, ser obrigatória para todas as categorias profissionais e realizadas por um órgão independente das instituições de ensino e das corporações classistas.   

Ah, mas a Constituição Federal privilegiou os advogados, atribuindo-lhes a condição de categoria especial!... Então é aí que reside e está sendo regada a raiz da contradição! Precisamos, pois, mudar a nossa Constituição. Aliás, há anos defendo a convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, pois não me parece ser de todo um despautério comparar o zelo que políticos carreiristas dedicariam à edificação de um Código de Leis, especialmente da dimensão de uma Carta Magna, com o cuidado que teriam as raposas na vedação de um galinheiro, cuja construção lhes viesse a ser confiada.

Aliás, na Constituição está expresso: “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. É estranho, portanto, que se permita que normas constitucionais sejam violadas com o exclusivo escopo de permitir que uma entidade de classe certifique quem pode ostentar o título de advogado e exercer o seu trabalho.  

É, ainda, profundamente injusto o fato de o operador do direito ser obrigado a integrar a “Ordem”, submetendo-se a um exame caro e contestado por milhares de bacharéis e mesmo por advogados. E, pior, tendo de pagar, também, uma cara anuidade vitalícia, quando na própria Carta Magna também está expresso: “Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”.

Dessa forma, a Constituição do Brasil está sendo triplamente agredida: primeiro, quando se obsta o trabalho profissional; segundo, quando se impõe a uma avaliação extracurricular; e terceiro, quando se obriga a se inscrever e permanecer inscrito na Ordem!... Argumentos em defesa da tolerância com outros ofícios e do privilégio à Ordem dos Advogados têm origem em falsas premissas e não podem encontrar respaldo no campo da racionalidade.

Certamente, não é o que pensam alguns que, uma vez aprovados no “Exame de Ordem”, fazem da dificuldade para enfrentá-lo – e do fato de terem sido, por alguma razão, vencedores – motivo de orgulho intelectual e moral. Esses, guiados por seus próprios padrões, vão jactar-se e defender a tal avaliação a vida inteira. E Freud, certamente, diria que isso tem tudo a ver com a fragilidade e as contradições humanas, resultantes de um atávico condicionamento dos tempos das cavernas.  

A atribuição de avaliar o aprendizado e promover a certificação extracurricular dos aprovados tem de ser tarefa da República Federativa do Brasil, através do Ministério da Educação ou, quem sabe, de um “Conselho Superior de Habilitação Extracurricular”, após promulgação de lei pertinente ao assunto. Delegar a uma ou a todas as categorias profissionais o direito de estabelecer, de per si, os critérios da própria certificação seria, no mínimo, defender a balbúrdia normativa e suas nefastas consequências. Aliás, o correto seria avaliar os estudantes ao final de cada etapa do ensino – primeiro, segundo, e terceiro grau – e só passar para a fase seguinte, ou ser habilitado em algum ofício, aqueles devidamente aprovados.   
 
Sabe-se que a OAB tem sido alvo de muitas críticas e reclamações; acusam-na de cobrar taxas exorbitantes, tanto na inscrição para o Exame, quanto na anuidade do advogado. E mais: que representaria interesse corporativo e que arrecadaria mais de CEM MILHÕES DE REAIS por mês, com inscrições e taxas. Sabe-se, a propósito, que todo Ordenamento Jurídico visa a disciplinar a vida em sociedade de forma que não impere a lei do mais forte... É, portanto, paradoxal, que a OAB tenha se transformado – na visão de estudantes e bacharéis em direito – em um temível e constrangedor monstrengo!   

 Ora, se legítimo é o que está em conformidade com a razão e a natureza dos fatos e das coisas; se justo é o que se processa, conforme a moral e o princípio isonômico, então admitir que apenas uma categoria profissional careça de certificação extracurricular para exercer o seu ofício constitui, de fato, uma inversão dos princípios que sustentam os conceitos de legitimidade, justiça e igualdade. E, mais ainda, significa estar em flagrante discordância com tudo o que inspirou a libertadora revolução francesa – notadamente os ideais iluministas.

A OAB é muito importante no contexto sociojurídico brasileiro, porém, como instrumento de organização de uma classe e sua legítima mobilizadora a uma permanente vigilância, a fim de que prevaleçam neste País, os atos que se processem dentro dos parâmetros de seu ordenamento jurídico, e não como detentora da prerrogativa de certificar os profissionais do direito. Disseram que não se deve brigar com os problemas. Deve-se brigar, sim! Sobretudo, quando se interpõem em nossas vidas, como empecilhos à realização de nossas justas aspirações.

Do acima proclamado, infere-se que os obstáculos devem ser firmemente enfrentados e, com a força da coragem moral, demolidos. Assim sendo, a prerrogativa que detém a Ordem dos Advogados, bem como a omissão ou desleixo do Estado Brasileiro em relação às demais categorias profissionais, encaixam-se, deveras, no rol do que deve ser combatido de forma sistemática e com a mais absoluta firmeza.

E não se tenha dúvida: assim como a ausência de virtudes cria o ambiente psicossocial propício para a proliferação da desordem e ilícitos, a presença delas faz florescer a profícua lucidez e gestos sublimes. Logo, no dia em que, movido à consciência e guiado pela razão, o povo eleger uma maioria de deputados e senadores dotados das virtudes necessárias para honrar o mandato, haveremos de ver triunfar a coerência e serem erradicados, do conjunto de normas deste País, vieses absolutamente contraditórios.                             

              A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA
                                               Francimar Moreira


A violência – tema que abordei dezenas de vezes no exercício do mandato de vereador (1983 a 1988), sempre alertando que seria uma chaga crescente, além de ser assunto a que também venho me reportando frequentemente, em artigos publicados no jornal O PROGRESSO – volta a assustar e estimular autoridades e setores organizados de Imperatriz a se reunirem para, conforme manifestação dos participantes, discutirem sobre suas causas e encaminhamento de sugestões de como coibi-la.
 Já participei de algumas dessas entediantes reuniões. Aborrecia-me, sobremaneira, o fato de os debatedores ficarem o tempo todo discutindo os reflexos adjacentes, periféricos. Ou, ainda, divagando sobre os seus malefícios menores, já que, das suas verdadeiras causas e da dimensão dos danos que provoca, fugia-se sempre, como, aliás, foge-se até hoje, tudo fazendo-nos crer que esse capítulo foi transformado, pelos que detêm poderes para tanto – em território proibido.    
A mais polêmica dessas reuniões, da qual participei como vereador, ocorreu em 1985 ou 1986. Foi idealizada pela OAB e estava presente o governador do Estado, Luís Coelho Rocha. Creio ter sido nesse encontro em que também se encontrava o jurista Márcio Tomaz Bastos. Era uma época em que a pistolagem corria à solta ou, como se dizia no jargão popular: “Todo dia matava-se um e deixava-se outro amarrado para morrer no dia seguinte!”. O encontro se deu no auditório do INPS, na Rua Simplício Moreira, e as polícias civil e militar de Imperatriz foram mobilizadas para proteger os participantes.
Fui àquele conclave em companhia de meu amigo e advogado Carlindo Carvalho do Rego, que, usando da palavra, bateu forte nos poderes constituídos. Nunca esqueci sua frase lapidar, proferida quando saíamos do local onde se deu o evento: “Até parece uma colônia de cracas! Ficam todos, o tempo todo, somente roendo a casca do madeiro, sem, no entanto, ter força ou coragem moral para penetrar o âmago!”.
Como teve coragem, pelo discurso, e razão, pela frase memorável, o meu velho amigo!...

Hoje, quase 30 anos depois, a ladainha é a mesma. E, apesar de tanto se falar que o mundo melhorou e que o Brasil tem experimentado enormes avanços no campo social e econômico, não se pode negar que o atraso político e sociocultural a que está submetido o Maranhão nos mantém arengando no mesmo nível de 30 anos atrás, pelo menos no que concerne à problemática da violência. Repete-se o mesmo velho e surrado discurso:
– Faltam policiais, delegados, viaturas, delegacias, promotores, juízes, presídios!...

Quanto equívoco!... Quanta enganação!... Como o ser humano gosta de enganar, às vezes, até a si mesmo. Na verdade, até sociólogos de botequim sabem que a violência que impera entre nós deriva, principalmente, de três causas. A primeira, uma pobreza crônica, tanto material como educacional. A segunda, a ausência de valores morais, que, é bom ser dito, resulta, em boa parte, dos exemplos nefastos que “celebridades” e autoridades, das mais diversas instituições praticam e são noticiados diariamente. A terceira, a incapacidade material, jurídica e moral do Estado Brasileiro para punir os seus delinquentes.

Ah, mais existem estudos “provando” que pobreza não é, por si só, fonte de violência!  – diria um ingênuo ou defensor da concentração de renda. Trata-se de uma falsa conclusão que somente pode ser atribuída a quem raciocinou escudado em também falsas premissas. É possível, ainda, que resulte de um trabalho sob encomenda dos perversos, com o objetivo de amainar suas culpas. Afinal, a ausência das condições mínimas à manutenção da vida já é, em si mesma, uma brutal violência!... 

Além do mais a tese em que se apegam os responsáveis pela miséria e sofrimento de bilhões de pessoas, em todo o mundo, para justificar suas posições reacionárias, resulta de levantamentos realizados em comunidades paupérrimas, que viviam ou vivem sob os auspícios de dogmas religiosos. Nesses casos a ilusão de que o sofrimento e a pobreza lhes trazem prioridade no reino do céu – onde seriam recompensadas por uma vida eterna cheia de glórias –, faz com que muitas pessoas sejam, sim, induzidas a renunciar à ideia de uma vida confortável...       

Hoje, entretanto, o povo começa a ter consciência de que os que lhe pregam e exigem resignação se aproveitam de sua ingenuidade e força de trabalho para construir seus paraísos aqui na Terra mesmo... Sabe ainda que, se submetessem as quase 5600 prefeituras do Brasil a auditorias, realizadas de forma correta, em poucas delas não seriam encontrados ilícitos que levariam seus respectivos prefeitos e a maioria do secretariado para a cadeia, caso a lei fosse cumprida.   

O mesmo raciocínio vale para todo e qualquer órgão público deste País cuja direção esteja sob a orientação político-partidária. Em assim sendo, é fácil concluir que, se resolverem colocar na cadeia os delinquentes, serão necessários tantos policiais, guardas penitenciários, delegados, escrivães, promotores, juízes, presídios... que a minoria que ficasse fora do serviço público e da cadeia, condenada, portanto, a trabalhar para sustentar a máquina estatal e produzir alimento para prisioneiros, agentes públicos e outros, logo, se rebelaria, entraria em greve e todos nós morreríamos de fome por falta de alimento. 

Diante desse quadro dantesco, aos políticos, resta continuar fingindo preocupação, tapear o povo com futilidades e conversa fiada, fazer de adversários, aliados ocasionais, por meio da corrupção, e empurrar as complexas questões que nos afligem para o dia de São Nunca. No antigo Egito e na civilizada Europa, o “pau” começou a quebrar; e como a utopia socialista, que seria a “salvação” das massas, foi postergada, o pretexto próximo será outro. Entretanto, os meios empregados serão os mesmos e a finalidade será a de sempre: uma sociedade justa, na qual ladrões dos cofres públicos tenham os bens confiscados e sejam punidos com rigor.

O diabo é que somente ensinaram nossos ancestrais a temer a fúria dos céus e os caldeirões dos infernos, e se esqueceram de alertá-los sobre a ira das massas enfurecidas. Por conseguinte, não herdamos os condicionamentos necessários para temer, também, as consequências da fúria popular. É por isso que se estimula o aumento de contingentes populacionais, através dos meios de difusão em geral, e depois o abandonamos em estado de miséria crônica, vivendo piores do que ratos, na mais absoluta e pungente degradação da espécie animal.  

Ora, foi divulgado várias vezes, durante o ano de 2011, que o Maranhão tem quase 15% de sua população vegetando no mais absoluto nível de pobreza, chegando, inclusive, a níveis que às vezes ultrapassa as mais famintas republiquetas africanas. A pergunta que precisa ser respondida é a seguinte: – Para quem vegeta, em condições tão animalescas, faz diferença estar preso ou em liberdade? Ou, ainda, matar ou morrer?!...

Atente-se para essa grave contradição: quase um milhão de maranhenses passa fome, enquanto os meios de comunicação, de forma perversa e obscena, estimulam o consumo, exibem riqueza, luxo, muita roubalheira aos cofres do Erário, além de uma classe política que desfruta um permanente deleite à custa do contribuinte. Pretender-se harmonia e paz social, diante de tantas aberrações, apenas aumentando o aparato policial e o número de presos, é a mesma coisa que pretender apagar incêndio usando nos extintores um produto inflamável!...

De profeta, não tenho absolutamente nada! Mas a miséria e a violência no Maranhão somente começarão a declinar, após, pelo menos, dez anos de governos competentes e comprometidos com as futuras gerações. E somente competência e compromisso não bastam, é preciso, também, punições mais rigorosas para delinquentes, principalmente ladrões dos cofres públicos, além de honestidade e ações rigorosas dos Poderes constituídos.

É preciso, ainda, por exemplo, acabar com as filigranas jurídicas que permitem a grandes ladrões se safarem da cadeia!... E também não permitir que sócios e amigos do rei deixem de pagar seus impostos!... Enquanto uns poucos gozarem de tais regalias, que, em última análise, significam estúpidas e aviltantes violências praticadas pelo estado contra a esmagadora maioria do povo, alguns segmentos sociais haverão de responder com mais pobreza e violência crescente.


                                Imperatriz, 25 de fevereiro de 2012.