quinta-feira, 30 de julho de 2015

OCORREU O SEGUINTE

Em 1973, na condição de inquilino, aluguei a primeira casa em Imperatriz e mandei instalar um condicionador de AR. Após pagar o combinado pelo serviço, o eletricista me pediu uma gorjeta, alegando que havia feito um GATO muito bem feito para não gastar energia. 
Incontinente lhe disse:
Pois cuide em desfazer depressa, porque vou já à CEMAR pedir para mandar fazer uma vistoria!... O homem ainda quis duvidar, mas quando percebeu que lhe falava sério, foi imediatamente desfazer a gambiarra. No dia seguinte, a CEMAR mandou o técnico chamado Cantanhede, fazer a vistoria.

Em 1979 construí a casa onde moro, e contratei a instalação elétrica com um moço de Goiânia que estava passando uma temporada aqui. Um belo dia ele perguntou-me qual seria o meu quarto e onde eu pensava colocar o guarda roupas...

Terminado o serviço, paguei-lhe o combinado. Ele, no entanto, disse: “Agora, você vai me dar CEM CRUZEIROS de gorjeta, por um presente que lhe dei!”. – Que presente?! Retruquei...  Ele então me chamou aonde seria o meu quarto e mostrou-me uma Chave Reversora que ficaria por trás do guarda roupas, e disse:
– Não quer gastar energia; é só virar essa chave.

Disse-lhe então: desmanche depressa, porque vou à CEMAR solicitar uma vistoria!... Ele ainda quis duvidar, mas logo percebeu que eu não estava brincando. No dia seguinte a CEMAR mandou o mesmo Cantanhede vistoria a instalação elétrica de minha residência.

Pois bem, morávamos sete pessoas em nossa casa. Ultimamente, alguns filhos saíram de casa: casaram-se, foram estudar fora, morar na fazenda...

Ficamos, pois, apenas duas pessoas. É natural que o consumo de energia caiu! A CEMAR, no entanto, não se conformou. Fez vistoria, questionou, explicamos; não adiantou. Substituiu o relógio e levou o antigo.
Um ano depois, nos chega uma multa respaldada na alegação de que o relógio estava adulterado.  
Os malfeitores vão surpreender-se, quando apresentarmos à JUSTIÇA comprovantes de que o consumo caiu ainda mais depois que o relógio foi substituído.
Depois que fui notificado, comecei a conversar sobre o fato e descobri que milhares de pessoas estão sendo vítimas da mesmo golpe. Sugiro procurarem a Justiça. Os advogados estão sedentos por causas como essas.   
Não sei se conseguirei, mas respaldado no meu passado, vou pedir danos morais.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

       A LENGALENGA DA MAIORIDADE PENAL

Talvez quando se começou a discutir sobre a necessidade de reduzir a idade em que todos devem responder pelos seus atos criminosos, houvesse, na questão em debate, algum sentido lógico. Hoje, na minha modesta avaliação, essa redução somente contribuiria para incentivar os de 15, 14..., a assumirem os lugares dos de 16 e 17 anos, e seus crimes com requintes de crueldades, cada vez mais chocarem a maioria do povo.    
A delinquência – juvenil ou não – é agravada pelos exemplos imundos de políticos e autoridades diversas, além, é claro, da absurda e chocante desigualdade social e a incapacidade brasileira de apenar seus criminosos. E, sem punições mais ágeis e rigorosas, principalmente para os grandes gatunos dos cofres públicos, não haverá solução para o catastrófico e alarmante problema da violência no Brasil.
A punição de autores de práticas delituosas deve amparar-se em uma criteriosa avaliação de profissionais especializados sobre a capacidade de discernimento do acusado, e ser proporcional à gravidade do crime cometido, independente da idade cronológica. A controvérsia sobre o tema resulta, muito mais, de hipocrisia e sentimento de culpa pela existência dos marginais, do que de evidências científicas.    
Por falta de uma alternativa mais inteligente, eu teria votado pela primeira proposta da Câmara Federal. A segunda (aprovada), jamais teria o meu voto, visto parecer uma terrível contradição o viés relativista que estão dando à legislação brasileira. Além do mais, nada justifica que um jovem possa ser considerado maior ou menor..., dependendo de ser considerado grave ou não um delito que tenha praticado.
O que precisamos; isso sim: é reconhecer a inimputabilidade de todos aqueles, cuja incapacidade de discernimento seja comprovada. Assunto, entretanto, para as ciências psicanalíticas e afins.
Compreendo, todavia, que a pretensão de que um diminuto instante, que seria a linha imaginária entre duas unidades temporais, seja parâmetro legítimo e suficiente para definir a imputabilidade, ou não, de um delinqüente, é algo tão absurdamente primitivo e desprovido de racionalidade que nos coloca em precário nível civilizatório.
Aliás, é de se lamentar que, apesar do fantástico avanço científico que a humanidade já detém, e, sobretudo, na Pátria de Ruy Barbosa e tantos outros juristas e pensadores renomados, ainda estejamos condicionando punições a delinquentes, ao tempo decorrido entre sua despedida do útero materno e o momento de um ensandecido ato criminoso.  
Ora, ora, senhores, senhoras, moços e moças; vamos ser primitivos nas cavernas!... Quem foi que proclamou ou mesmo decretou que permissividade é sinônimo de civilidade, ou respeito pelos direitos humanos?! E o direito à vida do outro?!... E o respeito às vitimas e seus familiares, como ficam?!... Desconfio que os que defendem menores assassinos, fazem-no somente até se tornarem vítimas de um deles!... 
É lógico, oportuno e até inteligente que sejam concedidas algumas prerrogativas à juventude, afinal, já disseram: “Dela é o futuro (...)”. Por isso mesmo, a prisão de um jovem, não deve subtrair-lhe o direito de desenvolver suas potencialidades. Daí, serem necessários abrigos especiais, sobretudo aparelhados com escolas, complexo esportivo e oficinas para aprendizado e produção.
Aliás, jamais concordei que qualquer preso permaneça inativo durante o tempo em que ficar pagando sua pena. E, em se tratando de jovens, há premente necessidade de que perspectivas de futuro lhes sejam criadas, afinal, alguns devem possuir potencialidades que podem ser desenvolvidas e úteis... Logo, não podemos pensar em jovens recolhidos, sem que lhes sejam assegurados o direito ao desenvolvimento profissional e intelectual.
Quanto à estapafúrdia alegação de que não existem evidências empíricas nem científicas de que a redução da maioridade contribua para reduzir o índice de violência, não passa de desculpa esfarrapada dos que buscam culpados pela desigualdade social, porquanto, o que deve prevalecer é a capacidade de discernimento do acusado e não sentimento paternalista e filigranas.   
A desigualdade social, contra a qual me insurgi desde que dela tomei conhecimento, deve ser combatida com instrumentos outros que não a permissão para ceifar a vida de pessoas inocentes. E a construção de uma sociedade harmônica, depende, sobretudo, do respeito à vida e o direito de outrem, e não de tolerância com a barbárie. Dizer que os presídios não cabem mais presos, quando bilhões são roubados dos cofres públicos, é, no mínimo, muito cinismo!...   
Conforta-nos saber que a democracia contém, em sua essência, indicativos abalizados de como grupamentos humanos devem proceder na busca permanente pela construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida. O descomunal problema é que ainda não aprendemos, sequer, como exercê-la em toda sua plenitude!  
Ora, o regime democrático não suprime a imposição da ordem, disciplina, educação, trabalho, respeito pelo direito alheio e castigo aos infratores, como fundamentos indispensáveis para a construção de uma sociedade harmônica e fraterna. Ao contrário, assegura-os como pressupostos básicos para a construção desta desejada sociedade.
Finalmente, como se desdenha dos mais sublimes e transcendentais valores humanísticos, é natural que, como conseqüência, vicejem a desordem e a delinqüência; sobretudo, quando o debate político, que devia ser pautado por princípios lógicos e razões humanitárias, restringe-se a interesses pessoais e LENGALENGA.




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

                           UMA ALDEIA OPRIMIDA
                                              Francimar Moreira


Não foi na idade média, e muito menos na era pré-histórica, que ela existiu. A opressão de que falamos atravessou os séculos e sobrevive reinando altaneira e com a mais absoluta desenvoltura, a despeito da revolução francesa, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de todas as lutas em que estiveram envolvidos bravos combatentes que deram a própria vida na tentativa de libertar o homem dos grilhões opressores.   
Não foi implantada a ferro e fogo nem sustentada a baionetas ou câmaras de torturas, como é comum acontecer, apesar de conviver com fogo e chumbo. A maldita, à qual nos referimos, é fruto de uma histórica e longeva dominação que tem na ignorância e covardia dos que se deixam dominar e na absoluta ausência de escrúpulos dos vilões opressores, o amálgama que alimenta, ampara e robustece a malfazeja.    
Não foi por falta de aviso ou denúncia, porquanto não somente o padre Antonio Vieira – um dos mais argutos e festejados homens que habitaram essa Aldeia – denunciou reiteradamente, com destemor e determinação, os horrores de seu tempo, como Jesus Cristo, o mensageiro-mor da fraternidade, em uma sábia e antológica advertência, proclamou: “Bando de víboras; que coam mosquitos, mas engolem elefantes!”.

Não foi por falta de indignação e rebeldia, visto que muitos já manifestaram o seu mais firme e contundente repúdio, e até pegaram em armas, na tentativa vã de remover essa vilania que oprime a Aldeia e mantém escravizados alguns milhões de seres humanos. Faltou, sim, infelizmente, que um número maior de pessoas compreendesse a dimensão da sordidez e tivesse coragem moral de também se rebelar contra o seu caráter obsceno.  

Não foi denunciado a contento?... Foi. Porquanto homens extraordinários arriscaram a própria vida, fazendo isso. Como foi o caso do admirável professor João Parsondas de Carvalho, que – rompendo distâncias na escuridão de noites taciturnas sobre o lombo de animais, em canoas, a pé e até nadando sobre as águas barrentas de rios caudalosos – enfrentou sacrifícios atrozes para denunciar a barbárie praticada no seu tempo.  

Não houve tantas vítimas e rios de sangue derramado, em quantidade suficiente, para que o mundo inteiro fosse sensibilizado pela infâmia que de fato tem ocorrido nessa Aldeia aviltada? É certo que houve. Vítimas nunca faltaram. É só verificar o sofrimento do povo, ou ler as páginas d’A GIERRA DO LEDA – da lavra do fantástico Parsondas de Carvalho –, que serão encontrados relatos chocantes sobre as atrocidades praticadas naquela época.

Não foi falta de gritos e ranger de dentes, que ecoassem mundo afora, despertando os que vivem nos palácios, ou ser ouvidos pelos defensores de plantão da causa dos oprimidos? Não. Não foi isso. O próprio Parsondas de Carvalho, com maestria e coragem, descreveu sobre os gritos de crianças, mulheres e anciões desesperados, diante das atrocidades cometidas pelos capangas do governador-tirano, Benedito Leite. 

Não faltou, então, um levante popular, uma revolução, ou mesmo um governo comprometido com a maioria do povo dessa Aldeia, que, de fato, governasse para todos?!... È lógico que faltou. Os sucessivos governos colocaram-se, reiteradamente, ao lado dos opressores e governaram para os aliados políticos, apoiadores e sócios. A maioria do povo apenas foi usada para legitimar o poder por meio do voto de cabresto.

Não existem nefastas consequências sociais e econômicas diante desse vilipêndio?... Os índices negativos, a alta concentração de renda, a pobreza extrema..., os pequenos e médios comerciantes apelando para o contrabando e produtos roubados, ou vendo seus meios de sobrevivência desaparecer, porque não têm como concorrer com os protegidos ou sócios dos chefes da Aldeia, falam por si. E por fim: “A violência filha da outra” – como diria Chico Buarque de Holanda –, é retroalimentada pelos vermes da iniquidade que reina.   

Não existe esperança de mudar essa esdrúxula e humilhante situação que tanto sofrimento e vergonha causam aos habitantes dessa Aldeia? Existe, sim. Após séculos de submissão e barbárie, os detentores do direito de votar resolveram mudar a principal liderança do lugar. E esta, vencido 1/12 avos do primeiro ano de governo, não somente tem se havido com absoluta competência, como sinaliza que haverá novos tempos. 

Não existe perigo de retrocesso? Ameaças sempre estarão rondando!... Mas o novo timoneiro da Aldeia compreendeu que se fazia necessário realizar mudanças que sinalizassem que as coisas tomariam novos rumos. Isso ocorrendo, os seus habitantes, esperançosos de que virá um novo tempo, encarregar-se-ão de formar o escudo protetor necessário para resistir às tentativas de golpes – qualquer que seja a sua natureza. 

Não haverá conspiração, ainda que a médio ou longo prazo? Sim. Ela sempre existirá e já deve estar havendo. Os que se acostumaram sugar nas tetas da Aldeia não vão desistir facilmente de tentar tê-las novamente ao alcance da boca. No entanto, basta o novo comando criar a expectativa de que a maioria dos antes subjugados vislumbre a possibilidade de ver suas vidas melhorarem, para que o escudo protetor de que falamos se fortaleça e impossibilite que os conspiradores tenham sucesso em sua pretensão.
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Amém!


  







domingo, 28 de dezembro de 2014

               PRECISAMOS VER PARA CRER   
                              Francimar Moreira

Não que duvidemos da vontade e competência do governador eleito do Maranhão, Dr. Flávio Dino. Mas transformar esta Unidade Federativa, com séculos de degradantes vícios, em um estado próspero, democrático e livre da praga da incompetência e do capitalismo de compadres – que privilegia meia dúzia e prejudica a grande maioria do povo –, tanto não é tarefa fácil, como é preciso a gente ver para que acreditemos.
Ora, depois de séculos de colonialismo, escravismo, coronelismo, patrimonialismo e outras formas de dominação..., não será fácil libertar o Estado e suas forças produtivas, desse vergonhoso e nefasto vício inercial de regalias e atraso que o engessa. Muito embora, um governo novo, liderado por quem tem um histórico de reconhecida competência pessoal; detenha, sim, os meios necessários para instituir um novo “contrato social”.
É, por exemplo, um absurdo a cobrança de impostos nas barreiras fiscais, sob a estapafúrdia sistemática de “Substituição Tributária”. Primeiro, porque a ST já é por si controvérsia, já que está expresso em nossa lei maior: “O fato gerador de tributos é a saída ou a venda de produtos”. Logo, a cobrança antecipada se ampara mais na força do poder do que em norma legítima de tributação. Segundo, o agente fiscalizador, a seu arbítrio, pode cobrar apenas de quem desejar!...
Na verdade, nessa terra de João Parsondas de Carvalho, ainda ocorrem coisas, em pleno século XXI, que seriam talvez apropriadas em republiquetas medievais. Se não vejamos: sob o escudo da “Substituição Tributária”, alguns impostos são cobrados, no ato da venda, pelas indústrias ou fornecedoras conveniadas com o estado, porém, estariam sendo devolvidos às empresas detentoras de privilégios, em forma de créditos fiscais.
Essa devolução, segundo assegurou-me uma fonte credenciada, é a razão por que se vendem, aqui no Maranhão, produtos que são adquiridos em outros Estados, já com os tributos inclusos, por meio da ST, a preços inferiores aos dos fabricantes ou fornecedoras. Aliás, é também a esdrúxula e criminosa forma de reservar o mercado para uns poucos. A menos que a empresa milagrosa seja uma lavanderia de dinheiro sujo.
Embora a Secretaria da Fazenda do Maranhão, por ocasião de uma denúncia de concessão de privilégios, tenha se manifestado por meio de nota, afirmando que os benefícios fiscais que o estado oferece fazem parte de uma “Política de Estado, e que está ao alcance de todos”; sabe-se, porém, das dificuldades criadas para a sua concessão, e que algumas empresas os têm pleiteado, reiteradamente, sem sucesso. 
Seria desnecessário dizer que essa prática nefasta, excludente e criminosa, vigente aqui no Maranhão, é uma das causas do atraso em que o Estado vive submerso. Afinal, é a mesma coisa de proibirem os que não conseguem os referidos benefícios, de concorrerem com os protegidos pelo manto malcheiroso que envolve o conluio público-privado que reina nesta maculada terra de tantos índices vergonhosos.  
Não há dúvida de que esse capitalismo predatório, praticado há séculos no Brasil e, de forma escancarada no Maranhão, é uma brutal forma de agressão. Assim como também é um forte indutor às demais formas de abusos que tanto nos humilham, porquanto, no conluio ou promiscuidade entre o poder público e organizações empresariais, dá-se o incesto e a gestação da mãe de todas as demais formas de violência.
Privilégios urdidos nos palácios, como ocorrem entre nós, configuram-se, sem dúvida, uma velada violência. São intoleráveis algumas formas de vantagens concedidas a uns poucos. E pretender harmonia social e livre iniciativa, proibindo a salutar competição, é a mesma coisa que colocar dois boxeadores no ringue para lutarem, estando um deles com os braços algemados. Uma estupidez, que os povos das cavernas não praticariam!
Nem nos reportamos aos sucessivos escândalos de corrupção e roubalheira que nos desabonam e causam profundo desalento!... É sobre o gravíssimo e escandaloso tema da ’reserva de mercado’, uma prática medieval e injusta, em favor de aliados preferenciais ou de quem a mercantiliza, que dirigimos nossas inquietações, na perspectiva de obter respostas sobre se devemos ter fé em mudança, ou se permanecemos na dúvida.

Como o filósofo ensinou: “À dúvida deve-se atribuir mais importância do que à certeza”, permita-nos conservá-las, ambas, Dr. Flávio Dino. Uma para aguçar a sentinela que deve estar sempre à espreita..., e a outra, para animar-nos pelos caminhos da vida – pelo menos até que uma nova realidade se imponha no ’Maranhão de todos nós’(...).

Apesar de as dúvidas serem constantes em nossas vidas, insistimos a nos agarrar na fé, e a sonhar com uma possível ação saneadora, por iniciativa do futuro governo maranhense. Afinal, nosso novo homem forte prometeu:
– Vou transformar o Maranhão em um Estado progressista, democrático e livre do capitalismo de compadres (...)!
– Tomara! Já que, de fato, vivemos um capitalismo selvagem, degradante, criminoso!...

Boa sorte, ao governador Flávio Dino e sua equipe. E um bom 2015 para todos!



  

sábado, 30 de agosto de 2014

                                     PARA O BEM DO BRASIL E DO MARANHÃO
                                                                                 Francimar Moreira
      
 Aos 85 anos de idade, 65 anos de vida pública, 32 anos como senador e uma conduta ilibada, o senador gaucho Pedro Simon reforça o adágio: “Político é como feijão cru dentro d’água, os bons afundam, os podres sobem”. Se alguém imagina que a conduta ética do honrado senador o credenciou a alçar voos na política brasileira, ENGANA-SE, embora os gaúchos o elegessem, quatro vezes senador, ele jamais chegou a uma vice-presidência do Senado. Parece incrível, mas a grande maioria dos políticos brasileiros tem medo de honestidade como o diabo tem da CRUZ!...
Vejamos o que disse o honrado senador do Rio Grande do Sul, em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, de 15/06/2014: “Não esperemos absolutamente nada do Parlamento brasileiro!... Nesses 30 anos de democracia, a única coisa de valor produzida ali foi A LEI DA FICHA LIMPA, que é de iniciativa popular e, mesmo assim, somente foi aprovada porque uma multidão cercou o Congresso Nacional pressionando-o e fazendo ameaças!...”.
O que o ilustre senador disse, do alto de sua ilibada conduta e experiência, é que o parlamento brasileiro, como se compõe e são eleitos os seus membros, é absolutamente INÚTIL (...). E, na verdade, é pior do que INÚTIL, porquanto é NEFASTO, já que funciona como um FORNO, TORRANDO R$ 11.545,00 POR MINUTO, OU MAIS DE SEIS BILHÕES DE REAIS, A CADA ANO, tirado do suor e sacrifício do povo brasileiro. É por isso que milhares que quiseram ser médico trocaram a profissão pela carreira política, onde o dinheiro jorra!... 
Ora, esses fatos, reforçados pelo alerta do senador Pedro Simon, e, sobretudo, pelo volume de escândalos que são noticiados diariamente, mostra-nos que não há motivo para que continuemos passivamente tolerando a farra que os políticos fazem à nossa custa e, muito menos, para que aceitemos esse modelo obsoleto de sistema eleitoral em vigência no Brasil. Razão pela qual DEVEMOS LUTAR E, COM A FORÇA DO POVO, IMPLANTAR AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS. AS MAIS URGENTES SÃO: 
1)      Mudança do Sistema de governo para o parlamentarismo e adoção do voto distrital;
2)      Redução de 50% do orçamento do Poder Legislativo;
3)      Redução de 25% do número de deputados estaduais e federais;
4)      Uma profunda reforma institucional do Estado Brasileiro;
5)      Mais rigor nas leis contra ladrões dos cofres públicos e confisco de bens de origem duvidosa.
Enquanto essas reformas não ocorrem, precisamos redobrar o cuidado na hora de votar, sobretudo, para o Parlamento (vereador deputado e senador). Afinal, nada justifica que a custa do nosso trabalho seja mantido o parlamento mais caro do mundo, que se vote em um candidato a senador e eleja um suplente sem ter um só voto, ou, ainda, que se vote em um palhaço (Tiririca), e eleja, com esses votos, vários deputados. Tudo isso é ridículo e uma afronta à inteligência e aos princípios da lógica e à cidadania. 

É simplesmente inaceitável que um parlamentar europeu custe aos cofres públicos 2,4 milhões de reais POR ANO, enquanto um brasileiro custa 6,6 milhões de reais. E, se considerarmos a relação entre o “PIB” de cada País e o custo do parlamentar, o absurdo é ainda muito maior. Na verdade, é um quadro trágico, do qual nos tornamos cúmplices, quando votamos sem critério, sem protesto!...

Além do mais, trabalhar CINCO meses por ano para pagar impostos, que são malversados ou furtados por políticos incompetentes e desonestos, e, ainda legitimar toda essa indigesta salada de sistema eleitoral pacificamente, é ser cúmplice. Por isso, EXIGIMOS AS REFORMAS, URGENTE!... E o partido comprometido com as reformas é a REDE SUSTENTABILIDADE, criado por Marina Silva e um grupo de sonháticos, entre os quais me incluo!... Logo, para o bem do Brasil e do Maranhão, sugiro: PRESIDENTE – MARINA SILVA/40. GOVERNADOR - FLAVIO DINO/65.
   
                                                               
                                                                       

 



 
   



terça-feira, 19 de agosto de 2014

               DO SERINGAL AO TOPO DO MUNDO
                                                      Francimar Moreira


Filha de pai seringueiro, ela nasceu na década de 50, do século XX, no Estado do Acre. Morou em palafita no Seringal Bagaço, foi infectada por resíduos de metais pesados – criminosamente lançados em cursos de águas de sua região –, permaneceu analfabeta até os 15 anos, por absoluta falta de oportunidade de receber instruções, foi, ainda, acometida de graves enfermidades, inclusive, teria sido desenganada pelos médicos, e, nunca mais gozou saúde plena.

A contaminação, que certamente fragilizou-lhe o sistema imunológico, tornou-a vulnerável a inúmeras doenças: três hepatites, cinco malárias, leishmanioses e várias outras de menor gravidade, contra as quais resistiu e lutou heroicamente. Mas sua batalha foi além!... Afinal, havia as dificuldades impostas pela falta de recursos materiais!... Milagrosamente saiu-se vencedora, constituindo-se, portanto, em espetacular caso de superação pessoal registrado entre nós. 

Trata-se, sem dúvida, de uma predestinada, dotada de grande coragem moral, de um enorme desejo e esperança de ver a humanidade alçar-se a outro estágio civilizatório, de mudar o mundo!...  Sobretudo, nutre uma inabalável fé em Deus que, regada pela chama do amor a fortalece. Aliás, para quem conhece a saga dessa incansável idealista, por mais incrédulo que seja, fica difícil não desconfiar da existência de uma mão invisível, um poder imensurável a conspirar a favor dela.

Se não bastasse o seu histórico de superação, a firmeza com que defende as suas convicções, e a admirável bagagem intelectual, também encanta o mundo sua determinação de lutar pelas causas que considera vitais para o bem-estar da humanidade e de todas as espécies vivas do planeta Terra. Sobre as doenças que sofreu e a fé inabalável que revela, é comum se ouvir pessoas dizendo: “Quase chorei de emoção, ao ouvir a história de vida da acreana (...)!”.      

Seu pai, um retirante nordestino, natural do Estado do Ceará, que migrou para a região Amazônica, fugindo da seca e atraído pelo látex – emulsão que se constitui na principal matéria prima para a fabricação da borracha –, possuía uma habilidade que o destacava dos demais seringueiros: a facilidade de lidar com os números e executar alguns cálculos matemáticos.

A vocação do genitor para a lógica numérica e o prazer em poder ajudar a seus companheiros, faziam sua casa ser muito visitada aos domingos: eram os colegas de profissão que iam pedir-lhe para calcular o valor do látex que haviam produzido na semana anterior. “Afinal, não devemos ficar à mercê de cálculos feitos somente pelos compradores” – Diziam os amigos, repletos de gratidão.    

Do pai, ela herdou a facilidade de raciocinar guiada pela lógica, o pendor pelos números, o sentimento de justiça e o desejo de superar-se e alçar grandes vôos. Contudo, somente aos 16 anos de idade lhe surgiu a oportunidade de ser alfabetizada, por meio do MOBRAL - Movimento Brasileiro de Alfabetização, criado pelo regime militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985.  

O contato com as letras e a ciência, não somente lhe rendeu nova visão de mundo, como lhe revelou a dimensão dos abissais desníveis sociais que grassa entre os povos do mundo inteiro, o que a inspirou reflexões sobre os motivos e as consequências de tão injusta e absurda situação. Daí, a envolver-se em movimentos diversos, e iniciar uma cruzada contra a degradação ambiental e social, produzidas pelos homens, foi somente uma questão de tempo e oportunidade.  
Ao certificar-se de que a preservação ambiental e fenômenos climáticos são indispensáveis à sobrevivência do homem e as demais espécies vivas existentes no planeta Terra, fez da defesa do meio ambiente, da natureza e da vida o foco principal de sua existência. A partir de então, bastou se firmar, perante as organizações mundiais que defendem as causas ambientais, a convicção de que suas idéias tinham vigorosa consistência, para que sua voz ganhasse eco planetário.

Foi ao lado do mais autêntico defensor da natureza e da vida, Chico Mendes, que seus ideais em defesa do meio ambiente e do ecossistema se consolidaram. E, à medida que o conhecimento abria-lhe o horizonte para compreender as injustiças sociais em sua plenitude, afloravam, na consciência lúcida da futura líder de uma causa universal e justa, idéias de como demolir paradigmas enraizados há séculos ou milênios, por meio de uma sustentável organização em REDE.  

Convencida de que as diretrizes que definem as políticas públicas em relação ao meio ambiente, o ecossistema e a vida em nosso planeta, têm de serem traçadas no embate político e no confronto das ideias, logo se transformou em uma autêntica ativista ambiental e política, marcada, sim, por uma postura ética, decente e calma, porém, por um forte embasamento de caráter filosófico e social, que logo a fez admirada muito além das fronteiras do Brasil.   

Eleita vereadora, em 1988, pelo município do Rio Branco, capital do Estado do Acre, causou espanto aos seus pares na Câmara Municipal ao não aceitar algumas benesses que o cargo lhe assegurava. Atitudes como essa, absolutamente desconectada da cultura que prevalece entre nós, e uma atuação brilhante como defensora das causas coletivas, fizeram-na, dois anos depois, a deputada estadual mais bem votada de seu Estado.    

Quatro anos mais tarde, desembarcou em Brasília; já como senadora eleita e a pessoa mais nova do Brasil a ocupar a senatoria; certamente escolhida por suas virtudes e ideais. Nessa ocasião demonstrou sua personalidade e muita firmeza de caráter, ao repreender, com absoluta altivez, a um jornalista desprovido de bom senso que tentou, de forma desprezível, desdenhar de seu mandato e dela própria, seguramente subestimando sua estatura intelectual e moral.    

Já reconhecida mundialmente, como legítima e dedicada defensora das causas ambientais e do ecossistema, foi convidada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assumir o Ministério do Meio Ambiente. Afastou-se, então, do Senado, onde já exercia o segundo mandato, e assumiu a delicada e conflituosa pasta. Embora não tivesse experiência administrativa, saiu-se admiravelmente bem em sua nova e delicada empreitada.   

Como soe acontecer, entre ela e o Presidente da República, havia a chefe do Gabinete Civil da Presidência, a quem devia, uma vez ou outra, dar satisfação. No cargo, ostentando “status” de ministra, estava uma mulher considerada uma “gerentona competente e dura”, e com poderes quase absolutos, assegurados pelo mandatário maior de seu País. As trombadas foram inevitáveis, até quando decidiu que não devia mais ficar e pediu para sair.  

Retomou, então, o seu posto no Senado, desfiliou-se do partido que estava no poder e pelo qual havia sido eleita senadora, e logo se filiou a outra agremiação partidária cuja bandeira principal era as causas ambientais e ecológicas. Pouco tempo depois foi lançada candidata a Presidente da República pelo Partido Verde. A surpresa foi a obtenção de quase vinte milhões de votos, por um partido pequeno e, ainda desconhecido da maioria dos brasileiros.   

Embora sem mandato, continuou a receber convites para proferir palestras nos mais diversos países e continentes. A abordagem principal sempre foram temas ligados às questões ambientais e ecológicas, porém, em reconhecimento à sua determinação e extraordinário histórico de superação, costumam convidar-lhe para abrilhantar encontros, seminários, e até festejados eventos esportivos de grande magnitude, em companhia de expressivas autoridades mundiais.      

Foi na abertura das Olimpíadas de verão de Londres, em 2012, em que estavam presentes vários chefes de Estado – fato que, naquele instante, transformou o lugar em topo do mundo –, que ela, ao Integrar o seleto grupo de celebridades mundiais que conduzia a bandeira com os anéis Olímpicos, elevou-se, de forma glamourosa, à condição de grande líder, o que causou encanto aos seus admiradores e, certamente, irritação a algum desafeto.

Encantou aos seus quase vinte milhões de eleitores, no Brasil, e aos muitos milhões de simpatizantes, no mundo inteiro. Porém, irritou sobremaneira a chefe de Estado com a qual se atritou, quando ambas eram ministras. Ao bater os olhos no grupo que conduzia a flâmula das olimpíadas, a ex-colega, transformada em desafeta, contraiu o cenho e, após olhar fixo e atentamente, indagou a um assessor que estava ao seu lado: “Será que aquela mestiça é a..., ou eu estou delirando?!...”.  

 – Não, Excelência, não há nenhum delírio. Aquela a quem a Senhora chamou de mestiça, é, na verdade, Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima, a ex-enferma, ex-analfabeta, ex-doméstica, ex-vereadora, ex-deputada, ex-senadora, ex-ministra, ex-candidata a Presidente e, segundo dizem, futura Presidente da República Federativa do Brasil – proclamou o assessor presidencial.

Irritada, a Chefona do Estado brasileiro proclamou:
– Isso é uma desfeita à minha autoridade e à minha pessoa. Vou protestar junto ao Comitê Olímpico Internacional!... – e, chamando à sua presença o representante da diplomacia brasileira em Londres, determinou que o protesto fosse formulado naquele mesmo dia.

Ao saber da irritação que a sua presença causou à ex-colega e chefe do governo brasileiro, a guerreira das causas ambientais, do ecossistema, da paz e da vida simplesmente esboçou um leve e enigmático sorriso e, parecendo desejar extrair, do horizonte infinito ou do nada, explicações para as terríveis contradições humanas, simplesmente cravou-lhe um longo, abstrato e suplicante olhar.

                                                              
Imperatriz/Ma. 08 de maio de 2014.

     

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ATÉ QUE ENFIM!...

Até que enfim, o parlamento brasileiro começa a despertar!... Também pudera, até os galináceos já estão percebendo que, do jeito que vai, não demora o pau começar a quebrar!... Afinal, alguém ser obrigado a pagar, a vista, do preço que outros pagam associando-se a uma quadrilha que assalta o povo brasileiro através de um mecanismo espúrio como o chamado dinheiro de plástico ou cartões, é, simplesmente, de uma estupidez que envergonharia até alguns lúcidos que viveram no tempo das cavernas!...